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BC indica fim da
alta de juro
Após a redução do ritmo no ciclo do aperto monetário,
sinais emitidos pelo Banco Central dentro do governo e
para o mercado sugerem que o arrocho na Taxa Básica
(Selic) chegou ao fim na reunião da semana passada, quando os juros foram
puxados para cima em 0,5 ponto percentual, alcançando 10,75% ao ano. Na Economia real, acumulam-se indicadores favoráveis para a
inflação, que convergem para o centro da meta de 4,5%. Mas o dado que assusta é
a freada brusca do crescimento econômico. Além da variação zero em maio,
informações preliminares de posse do BC apontam que o Produto
Interno Bruto (PIB) ficou negativo em junho e tende a fechar muito
próximo à Estagnação em julho. O Índice de preços ao Consumidor
Amplo (IPCA) também registrou variação zero no mês passado e a parcial para
este mês (IPCA-15) apontou Deflação de 0,9%. Soma-se a
esses fatores a acomodação da atividade, que, de acordo com projeções do Banco
Espírito Santo (BES), não deve passar de 0,5% no segundo trimestre, impondo um
novo desafio ao BC comandado por Henrique Meirelles, que perdeu todo o apoio no
governo para aumentar os juros. A tempestividade mostrada pelo Comitê de Política monetária (Copom) na semana passada leva agora os
analistas a aguardarem com extraordinária ansiedade a ata do encontro, na qual
deverão constar as justificativas para a alta abaixo dos 0,75 ponto
anteriormente aguardada. Apesar de estar apoiada em uma aparente alteração de
cenário, a estratégia do BC deixou o mercado confuso. “Não sei bem o que
esperar da ata. Nos últimos comunicados, o BC demonstrava um viés bastante
preocupado, com descompasso entre Oferta e demanda.
Precisamos ver o que justificou (a alta de 0,5 p.p.)”, sugeriu Inês Filipa,
economista-chefe da Icap Brasil. A seu ver, a Conjuntura
econômica não se alterou expressivamente desde a reunião de junho e os
subsídios atuais sinalizam uma mudança de tendência, mas ainda não a confirmam.
“A preocupação que fica é de que o BC reduza ou interrompa o ajuste agora e, no
ano que vem, quando poderia começar a diminuir a taxa, tenha que fazer um novo
aumento.” Além dos índices correntes, o bom comportamento da Inflação também já altera a expectativa futura dos analistas.
De acordo com o Boletim Focus(1), divulgado ontem, a estimativa para o avanço
do IPCA, no fim do ano, foi reduzida pela terceira semana seguida, para 5,35%.
Para o ano que vem, as expectativas estão congeladas em 4,8% há 15 semanas. A
projeção para o avanço da economia, por sua vez, está estagnada em 7,2% nas
últimas três pesquisas. O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto,
também aguarda uma explicação mais clara para a decisão do BC. “O COPOM deve detalhar quais foram esses fatores domésticos e
externos que o levaram a elevar menos os juros”, observou. Para ele, os
analistas têm tido mais trabalho em interpretar e compreender corretamente os
comunicados divulgados pela autoridade monetária. “O mercado está com
dificuldade em identificar a intenção do BC, mas o cenário está mais volátil e
mais incerto. Prefiro atribuir essa dificuldade às mudanças rápidas (de
conjuntura) do que a alguma falha de comunicação.” Questão marginal 1 - Expectativas do mercado
Apesar da trégua dada aos índices de preços pelos
alimentos, a Inflação em Brasília continua resistente,
segundo o Índice de preços aos Consumidor Semanal
(IPC-S), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) até 22 de julho. Segundo
levantamento nas principais capitais, os preços caíram em quatro delas,
chegando a -0,29% no Rio de Janeiro. Na Capital
federal, o índice subiu 0,19%. O Economista da FGV André Braz
atribui a persistência inflacionária em Brasília ao fato de a renda média local
ser mais elevada do que em outras regiões. “Os alimentos puxam a Inflação para baixo atualmente, mas pesam mais nos orçamentos
das famílias com menor renda. Cidades com rendimento familiar médio mais alto
acabam não sendo tão beneficiadas por esse recuo”, explicou. Ainda que continue
em elevação, Braz considera a Inflação no Distrito
Federal em um patamar ainda extremamente baixo.
Fonte: Correio Braziliense
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