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Micro e pequenas empresas
querem mudanças no Simples
As micros e pequenas empresas vão pedir ao governo federal
uma mudança no critério para inclusão em regimes especiais de tributação. Elas
defendem o reajuste do limite de faturamento que dá direito ao pagamento de
impostos por meio do Simples Nacional. A proposta foi apresentada nesta
quinta-feira (14) durante o 5º Congresso da Micro e Pequena Indústria realizado
em São Paulo,
promovido pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Atualmente, só empresas que faturam até R$ 2,4 milhões por ano podem recolher
seus tributos pelo sistema, que é menos oneroso do que o regular. Esse limite
está em vigor desde a sanção da lei que criou o Simples, em 2006, e precisa ser
reajustado de acordo com os empresários. O Simples implica no recolhimento
mensal de oito impostos a partir de um documento único, ou seja, ajuda a
diminuir a burocracia.
Paulo Skaf, presidente da Fiesp, disse que a pequena empresa brasileira precisa
ser definida com base nos mesmos critérios adotados por outros países do
Mercosul.
- O limite de faturamento deveria estar, no mínimo, acima dos R$ 3
milhões, considerando só a inflação dos últimos quatro anos. No Mercosul, o
enquadramento de uma micro e pequena empresa é de cerca de R$ 6 milhões.
Estamos muito defasados nesse limite.
Esse reajuste será o principal pedido dos micros e pequenos empresários para o
próximo presidente da República. Além dele, o setor defende mudanças nos
sistemas de tributação dos estados, mais ações para capacitação de empresários
e a ampliação do crédito para o setor.
O diretor do Departamento de Micro, Pequena e média Indústria da Fiesp, Nilton
Bogus, citou um dos problemas de crédito das empresas.
- Muitas vezes o empresário usa capital de giro para comprar máquinas, mas o
capital de giro é muito mais caro do que o crédito do BNDES [Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social].
Segundo ele, o BNDES, os bancos comerciais e o governo precisam reduzir os
"gargalos" existentes entre o empresário e a fonte de financiamento.
Isso, disse Bogus, alavancaria um setor que tem importância crucial para o
desenvolvimento da economia do país.
O diretor afirmou que as pequenas empresas são 99% das
companhias nacionais e são responsáveis por boa parte dos empregos criados no
país. Só no estado de São Paulo, mais de 40% dos empregos gerados pela
indústria no ano passado foram em pequenas fábricas.
Para a capacitação dos pequenos empresários, o presidente do Sebrae (Serviço
Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Paulo Okamotto, pediu maior
foco no aprimoramento da gestão e na busca por inovações. Para ele, brasileiros
já aprenderam a abrir uma empresa, mas agora precisam melhorar o gerenciamento
dela e agregar valor a seus produtos.
- O dono de um restaurante de 20 anos precisa inovar, melhorar seu
serviço, para que possa manter o faturamento de seu negócio.
Fonte: Agência do Brasil
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