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Queda da inflação
divide opiniões sobre evolução da taxa Selic
A maioria dos analistas financeiros acredita que o
Comitê de Política monetária (Copom) do Banco Central (BC) manterá o processo de evolução da Taxa Básica de juros (Selic), com reajuste de 0,75 ponto
percentual, na próxima quarta-feira (21), como ocorreu nas duas últimas
reuniões do Copom. Mas as opiniões já começam a divergir e há até quem defenda
a permanência da taxa Selic no patamar atual, de 10,25%
ao ano, uma vez que a Inflação arrefeceu nos dois
últimos meses. É o caso do professor de finanças da Fundação
Getulio Vargas (FGV) Fabio Gallo Garcia. Ao analisar o boletim Focus, divulgado
hoje (19) pelo BC, em que a projeção de Inflação para
este ano caiu de 5,61% para 5,42% nos últimos 30 dias, ele disse que “a baixa
reflete a percepção do mercado de que o aumento de preços durante o primeiro
semestre perdeu força”. Tanto que o Índice de preços ao
Consumidor Amplo (IPCA) foi zero no mês de junho e neste mês também dá sinais
de estabilidade. Garcia acredita que esse cenário também se manterá
nos próximos meses. Ele lembra que a forte Expansão do
Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas no país, nos
primeiros meses do ano, está em fase de “desaceleração”. Sem pressão
inflacionária à vista, ele acha que o COPOM pode optar
pela manutenção da taxa Selic em 10,25%, uma vez que o
país já conta com juros reais acima de 4,5% enquanto os Estados Unidos e países
da Europa têm juros reais negativos. Menos otimista, o presidente do Sindicato das
Financeiras do Estado do Rio de Janeiro (Secif-RJ), José Arthur Assunção,
projeta elevação de 0,5 ponto percentual na Taxa Básica
de juros. Ele diz que a queda nos prognósticos de Inflação
sustenta a tese de que a Economia não cresce mais nos
níveis do início do ano, portanto “não será necessário um ciclo de ajuste tão
forte da Selic como se previa anteriormente”. Assunção reafirmou sua confiança no colegiado de
diretores do BC. Segundo ele, “o COPOM trabalha
atualmente em sintonia fina, projetando a Economia para
longos períodos”. Razão pela qual acredita que o COPOM
adotará o procedimento que for melhor para o país, independentemente de
eleições ou qualquer outro fator. Ele não vê mais necessidade de a Selic chegar a 12% ou 13% neste ano, como apostavam os
agentes econômicos, e até imagina a possibilidade de a Taxa de
Juros retornar ao patamar de um dígito já no início de 2011. O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto,
também ressalta que apesar de os analistas apostarem, majoritariamente, em nova
elevação da Selic em 0,75 ponto percentual, possível
ajuste de 0,50 ponto percentual também “entrou no radar”. Fica evidente,
segundo ele, que a postura da Política monetária será
alterada em breve, com provável diminuição do ritmo de alta em setembro, que
pode, inclusive, marcar o fim do ciclo atual de aperto.
Fonte: Agência Brasil
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