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Novo
padrão contábil ainda provoca sustos
O novo
padrão contábil internacional, conhecido pela sigla em inglês IFRS, começa a
valer para os balanços a serem publicados em 2011, mas ainda há muitas dúvidas das
empresas, principalmente quanto a ativos imobilizados, concessões públicas e
valor justo (fair value). Essa
realidade ficou clara ontem, durante seminário realizado pela Fipecafi em
parceria com a Ernst&Young Terco. Segundo
Paul Sutcliffe, sócio-líder de IFRS da Ernst & Young, a questão cultural e
as normas baseadas no pensamento europeu são os pontos de maior dificuldade
aqui, no Brasil. Dentre as
dificuldades, destaca-se a que vem sendo enfrentada pelo setor de construção.
Em fase de adaptação às normas do IFRS, as construtoras procuram
esclarecimentos para saber como serão contabilizados em seu balanço de 2010, a
ser publicado em 2011, os imóveis comercializados. As companhias, que entraram
com força na Bolsa há alguns anos não sabem se esses imóveis devem ser
colocados no seu balanço como bens da empresa, mesmo já estando vendidos.
Os problemas de adaptação ao novo padrão de balanço não param por aí. Itens
como taxa de depreciação, consideração do valor residual do bem, a necessidade
de bifurcar as informações quando a empresa possui debêntures conversíveis, as
relações ao se tratar de ações preferenciais e as diversas ramificações quando
o assunto a ser tratado forem os ativos biológicos são indagações que mais
causam dor de cabeça ao empresariado brasileiro. Folga aos
bancos Cabe
ressaltar que as instituições financeiras - bancos - terão um prazo maior para
se adaptar ao novo regimento e que seguirão de forma clara as medidas feitas
pelo Banco Central do Brasil. Segundo
especialistas em contabilidade, essas instituições levarão a público
diferentes balanços. Outro
ponto relevante é o número de empresas brasileiras - no total, vinte oito - que
já se adequaram às novas regras. Dentre essas companhias estão nomes como Vale,
Net Serviços, TAM, Vivo, Cielo, Petrobras e outras. Além do
Brasil, países como os Estados Unidos, a Índia e o México estão também em
processo de convergência ao padrão globalizado. Os
especialistas, quando lhes foi perguntado se a adoção do padrão internacional
de contabilidade teria impacto positivo ou negativo nos resultados da empresas,
em consenso dizem que dependerá da aplicação do fair value e das demais
diretrizes adotadas ao pontuar suas ações. "Antes
nós tínhamos estimativas contábeis mais estáveis, agora passamos para um ponto
em que existem estimativas econômicas. Esta situação nos levará a uma
variabilidade maior dos resultados. Isso ocasionará aumentos e diminuições com
uma velocidade muito maior, diferentemente da situação em que nós
estávamos", explica Wagner Aquino, diretor da Ernst & Young. Para o
professor Bruno Meirelles Salotti, da Universidade de São Paulo, em um primeiro
momento será necessário ter muita atenção ao comparar a atuação das empresas
depois da aplicação das novas regras. "Você
ainda tem o problema da adoção inicial, tem empresas que poderão adotar dez
isenções, outras não adotarão nenhuma, uma outra empresa pode agregar três.
Então, dependendo das isenções que a empresa adotar, a comparabilidade em
primeiro momento fica complicada. As notas explicativas terão de ser lidas com
muito cuidado para esse efeito de comparação", explica o economista da
USP. Mas,
mesmo com todos os impasses é possível arriscar que as novas normas dos IFRS
(International Financial Reporting Standards) podem trazer benefícios às
empresas brasileiras. Sem um
comum acordo entre os especialistas da área, pode-se dizer que os impactos
serão positivos e negativos, e que não existe um tempo estimado para que todas
essas normas internacionais sejam aplicadas aqui, no País, como explica Paul
Sutcliffe. "Primeiro precisamos compreender os desafios contábeis, e isso
deve ser feito já. O segundo desafio, e isso foi falado na Europa, é que não
existe um tempo certo para dizer que nele todas as regras sejam cumpridas, isso
é coisa que demora anos para se fazer." Wagner
Aquino, quando questionado sobre a real necessidade da implantação das normas,
diz: "Isso está por trás da globalização e tem uma regra dramática: ou
você está dentro ou ela te exclui. Então não é uma questão de opção: você está
dentro do mercado de capitais ou não, e hoje não dá para se pensar em estar
fora do mercado de capitais." Por isso,
as empresas negociadas na Bolsa foram as primeiras a adotar o novo padrão, até
porque têm papéis negociados em Nova York e em mercados europeus. Elas tomaram
a decisão também com base na previsão de que o US Gaap (padrão norte-americano)
deve ser substituído pelos IFRS. Fonte:
DCI
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